Regulação Florestal
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Regulação Florestal

A regulação dá um passo adiante em relação ao ordenamento da produção. Primeiramente, vale destacar que uma floresta cuja produção esteja ordenada, não está necessariamente
regulada. Já uma floresta regulada, também é uma floresta cuja produção está ordenada.
Entende-se que uma floresta regulada é aquela que tem condição de oferecer produtos em quantidade e qualidade suficiente para o atendimento das demandas. Dentro desse contexto a regulação florestal torna-se o tema de maior importância no manejo florestal.
Segundo Leuschner (1990) a regulação florestal é considerada desejável para que se tenha madeira de forma sustentável em rotações pré-determinadas. Os profissionais florestais têm desenvolvido muitas técnicas para organizar a colheita de modo a conseguir a regulação florestal a partir de uma floresta desregulada e manter a regulação após obtê-la

O objetivo da regulação florestal é recomendar a alternativa ideal de manejo à floresta atendendo pelo menos as restrições de produção de madeira ao longo do horizonte de planeamento e de área disponível. É possível ainda incluir outras restrições como produções crescentes, intervenções sempre em talhões inteiros, número constante de mão de obra, restrições de adjacência, entre outros.

Desta forma, uma floresta regulada é capaz de garantir uma produção contínua de madeira. As características essenciais para uma floresta regulada são: presença de florestas em todas as classes de idade; árvores que estejam consistentemente crescendo; taxas de crescimento que atinjam a produção desejada; previsibilidade de produção e plantio; equilíbrio das atividades ao longo do horizonte; equilíbrio de receitas; etc.

Ao se elaborar um programa de manejo florestal são muitas as variáveis e informações que devem ser consideradas, as estratégias de ação disponíveis e que devem ser analizadas, cujos efeitos são de difícil previsão.

A capacidade de síntese do planejador ou do método por ele usado, não necessariamente diminui a complexidade dos problemas, mas sim organiza a forma de resolvê-los.
Nesse sentido a programação linear vem despertando a atenção dos técnicos das áreas de Economia e Planejamento Florestal. Usada como instrumento auxiliar de tomada de decisões no gerenciamento florestal, é principalmente útil na definição de quando, quanto e onde cortar; onde; quando e quanto reformar e que regime de manejo adotar em cada talhão, respeitando restrições operacionais e de recursos da empresa e, ao mesmo tempo, maximizando os retornos sobre os investimentos realizados. DAVIS & JOHNSON (1987), CLUTTER et alii (1983), LEUSCHENER (1984) e DYKSTRA (1989) podem ser citados como referências básicas para aqueles que desejam uma introdução ao assunto. Para um aprofundamento maior é sugerido JOHNSON & SCHEURMAN (1977) e WARE & CLUTIER (1971). Uma aplicação de programação linear no gerenciamento de Eucalipto é apresentada por RODRIGUEZ et alii (1986). JOHNSON & SCHEURMAN (1977) classificaram os diversos modelos de programação linear, desenvolvidos para otimizar o gerenciamento florestal, em modelos do tipo I e do tipo n. Este item define a terminologia usada e apresenta matematicamente esses dois modelos.

Principais conceitos

Rotação: Compreende o período de tempo decorrido entre o crescimento inicial da muda, ou da brotação, e o corte raso de uma floresta qualquer.

Ciclo Florestal: Definido como o período de tempo decorrido entre o plantio da muda e o corte raso final da floresta, pode compreender uma ou mais rotações. Talhão Florestal: Resultado da subdivisão em pequenas áreas de uma floresta implantada e voltada para o suprimento industrial, com localização e dimensões bem definidas e, em geral, permanente.

Estrato Florestal: Conjunto de talhões florestais agrupados por apresentarem o mesmo potencial produtivo, idade e localização topográfica.

Horizonte de Planejamento: Corresponde ao período de tempo ao longo do qual serão considerados certos objetivos e restrições. Deve ser suficientemente longo para suportar 1.5 a 2 ciclos de uma floresta qualquer.

Regime de Manejo: Corresponde ao conjunto de práticas silviculturais necessárias para implementar a repetição de um mesmo ciclo florestal ao longo do horizonte de planejamento.
Após a definição dos regimes de manejo, todas as estratégias possíveis de condução do estrato florestal devem ser consideradas. Isto implica no conhecimento prévio dos custos e exigências técnicas de cada regime de manejo, assim como terão que ser prognosticadas as produções de cada estrato florestal possíveis de serem alcançadas em cada regime de manejo implementado.

Para entender um pouco mais, pode ser observado a seguir uma floresta regulada, assegurando uma produção contínua de madeira em um horizonte de planejamento a partir do ano de 2019 até o ano de 2025, levando em consideração a rebrota das cepas e idade técnica de corte ao 6º ano.

Ano de 2019

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Ano 2020

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Ano 2021

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Ano 2022

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Ano 2023

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Ano 2024

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Ano 2025

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Referências
CLUTTER, J.L.; FORTSON, J.C.; PIENAAR, L.V.; BRISTER, G.H. & BAILEY, R.L. Timber management ; a quantitative approach. New York, John Wiley & Sons, 1983. 333p.
DAVIS, L.S. & JOHNSON, K.N. Forest Management. 3.ed. New York, McGraw-Hill, 1987. 790p.
LEUSCHENER, W.A. Introduction to Forest Resource Management. New York, John Wiley & Sons, 1984. 290 p.
DYKSTRA, D.P. Mathematical programming [or natural resource management. New York, McGraw-Hill, 1989. 318p.
JOHNSON, K.N. & SCHEURMAN, H.L. Techniques for prescribing optimal timber harvest and investment under diffcrent objetives; discussion and synthesis. Forest Science Monograph 18, Bethesda, 18: 31, 1977.
WARE, G.O. & CLUTTER, J.L. A mathematical programming system for the management of industrial forests. Forest Science Washington, 11: 428-45, 1971.
RODRlGUEZ, L.C.E; LIMA, A.B.N.P.M, de; BUENO, A.C.; MARTINI, E.L. Programação linear no planejámento florestal: uma aplicação prática. In: CONGRESSO FLORESTAL BRASILEIRO, 5, Olinda, 1986. SílvicuItura. Sã.o Paulo, SBS, 41(11):163-168, 1986.

Ordenamento da produção

As referências mais antigas da ciência florestal, estão na Índia, uma civilização de mais de 5 mil anos, que incluem prescrições sobre reflorestamento e o cultivo de árvores nas margens de corpos d’água descritos nos Vedas.

Na idade média, o manejo florestal era feito com base no corte seletivo e regeneração natural, e levava a baixa quantidade dos estoques florestais, simultanamente em que prosseguia o crescimento populacional e substituição de áreas para atividades agronômicas, residenciais, comerciais e outros usos não florestais da terra. As guerras do período colaboraram para devastar grandes áreas florestais.

Porém foi na Europa, principalmente na Alemanha, onde os primeiros experimentos silviculturais foram desenvolvidos para determinar qual a produção máxima que as florestas temperadas da região conseguiriam suportar em um regime de manejo, no século 19.

Os primeiros manejadores eram ligados ao exército, uma vez que as florestas eram consideradas propriedades do rei. Desta forma deveria-se assegurar de não deixar faltar madeira para construções, para manufaturas e mais importante, para aquecimento das população durante os rigorosos invernos. Foi também na Europa em que as primeiras escolas de ciência e engenharia florestal apareceram. No Brasil, as primeiras escolas específicas da área florestal surgiram no final da década de 1960 e década de 1970.

Neste contexto, era fundamental adotar práticas de ordenamento da produção, visando garantir a produção de madeira suficiente para as necessidades. Dentre as vantagens de uma floresta ordenada estão a garantia da produção; a previsibilidade de despesas e receitas; o conhecimento da demanda de terra; e a sustentabilidade.
Controle de corte
o controle de corte para a regulação da floresta ele pode ser feito por área,volume ou ambos.
Controle do corte pela Área: o volume a ser obtido é determinado pela madeira a ser removida na área determinada pelo controle do corte. A cada ano uma área será submetida à exploração ou colheita,podendo o volume variar.A vantagem deste método é a simplicidade e a facilidade em realizar os cálculos,no entanto como desvantagem ele apresenta o uso limitado para povoamentos equianos.
Controle de corte por volume:A determinação da colheita é conseguida através do
volume e da distribuição do estoque de crescimento e do seu incremento.A vantagem é obter uma produção volumétrica constante garantindo a demanda estipulada,porém leva um longo tempo para obter a estrutura regulada.
Para exemplificar a busca pelo ordenamento da produção num problema florestal, considere uma propriedade com duas áreas plantadas com eucalipto com 2 anos de idade: uma de 120 ha (área A) e outra de 180 ha (área B). A área A é menos produtiva que a área B, conforme apresentado na tabela de produção abaixo:

Produção aos 4 anos 5 anos 6 anos 7 anos
Área A 112,32 153,14 178,70 199,52
Área B 126,84 168,45 196,57 219,47

Se o proprietário fosse cortar a floresta na ITC, isto é, momento em que o incremento médio anual atinge o seu valor máximo (máximo IMA), as duas áreas deveriam ser cortadas quando atingissem 5 anos. Se hoje elas possuem 2 anos, o corte dos 300 hectares (120 da área A + 180 da área B) ocorreria daqui a 3 anos.

No entanto, o proprietário está prevendo iniciar uma série de reformas na propriedade daqui a 3 anos. A expectativa é que as obras tenham duração de 3 anos. Para cobrir os custos da reforma ele deseja cortar e vender 1/3 da floresta daqui a 3 anos, outro 1/3 daqui a 4 anos e um 1/3 final daqui a 5 anos.

A área A possui hoje 2 anos. Passados 3 anos, essa área terá 5 anos de idade e cada hectare será capaz de produzir 153,14 m³. Após 4 anos, essa área terá 6 anos de idade e será capaz de produzir 178,70 m³/ha. Após 5 anos, a área terá 7 anos de idade e será capaz de produzir 199,52 m³/ha.

Análise semelhante pode ser feita para a outra área. Como a área B possui hoje 2 anos, daqui a 3 anos ela terá 5 anos e será capaz de produzir 168,45 m³/ha. Daqui a 4 anos ela terá 6 anos e será capaz de produzir 196,57 m³/ha. Daqui a 5 anos ela terá 7 anos e será capaz de produzir 219,47 m³/ha.

Como o proprietário deseja cortar toda a floresta ao longo de 3 anos seguidos, será necessário reorganizar as duas áreas em três compartimentos. Um compartimento para cada ano de produção desejado.

Existem diversas formas de organizar a produção destas áreas para atender à demanda do proprietário. Por exemplo, é possível cortar 100 ha da área A daqui a 3 anos. Cortar 20 ha da área A e 80 ha da área B daqui a 4 anos e o restante da área B daqui a 5 anos. Outra opção seria cortar 1/3 de cada área daqui a 3 anos, outro 1/3 de cada área daqui a 4 anos e o último 1/3 daqui a 5 anos.

Existem infinitas opções de combinação para cortar as áreas A e B ao longo de três anos. Como definir qual deverá ser a recomendação de corte para cada área? É necessário adotar algum critério para escolher qual das alternativas adotar. É possível por exemplo escolher a alternativa que tenha o menor custo. Ou a alternativa que gere a maior receita. Para resolver este problema, o proprietário pediu para que fosse escolhida a alternativa capaz de produzir a maior quantidade de madeira possível. Consolidando as informações apresentadas até aqui, a formulação conceitual do problema pode ser definida como:

Maximizar produção

S.a.

Não exceder a área disponível
1/3 da área a cada ano

O problema acima pode ser resumido numa tabela apresentando a produção de cada alternativa de manejo, a área disponível de floresta e a área a ser cortada por ano.

Área Daqui a 3 anos Daqui a 4 anos Daqui a 5 anos Disponibilidade
A 153,14 178,70 199,52 120
B 168,45 196,57 219,47 180
1/3 da área 100 100 100 300

Já é possível começar a montar o problema de otimização para buscar o ordenamento da produção. Com as informações passadas até aqui, é possível perceber que as opções de manejo da área A são:

  • Cortar parte ou toda a área A aos 5 anos (daqui a 3 anos), produzindo 153,14 m³/ha. Esta alternativa será representada pela variável de decisão A5, indicando hectares da área A cortados aos 5 anos.
  • Cortar parte ou toda a área A aos 6 anos (daqui a 4 anos), produzindo 178,70 m³/ha. Esta alternativa será representada pela variável de decisão A6, indicando hectares da área A cortados aos 6 anos.
  • Cortar parte ou toda a área A aos 7 anos (daqui a 5 anos), produzindo 199,52 m³/ha. Esta alternativa será representada pela variável de decisão A7, indicando hectares da área A cortados aos 7 anos.

As alternativas de manejo para a área B são:

  • Cortar parte ou toda a área B aos 5 anos (daqui a 3 anos), produzindo 168,45 m³/ha. Esta alternativa será representada pela variável de decisão B5, indicando hectares da área B cortados aos 5 anos.
  • Cortar parte ou toda a área B aos 6 anos (daqui a 4 anos), produzindo 196,57 m³/ha. Esta alternativa será representada pela variável de decisão B6, indicando hectares da área B cortados aos 6 anos.
  • Cortar parte ou toda a área B aos 7 anos (daqui a 5 anos), produzindo 219,47 m³/ha. Esta alternativa será representada pela variável de decisão B7, indicando hectares da área B cortados aos 7 anos.

Conhecendo as variáveis de decisão do problema e a produção de madeira de cada alternativa de manejo, é possível construir a função objetivo que maximiza a produção de madeira da propriedade:

max: 153.14 A5 + 178.70 A6 + 199.52 A7 + 
168.45 B5 + 196.57 B6 + 219.47 B7;

O próximo passo é definir as restrições. O primeiro conjunto de restrições impõe que as alternativas de manejo atribuídas à área A não podem ultrapassar os 120 hectares plantados.

AREAA: A5 + A6 + A7 <= 120;

De forma, semelhante, as alternativas de manejo atribuídas à área B não podem ultrapassar os 180 hectares plantados.

AREAB: B5 + B6 + B7 <= 180;

Outra restrição imposta pelo proprietário é cortar ⅓ anualmente, iniciando daqui a 3 anos. As soma das alternativas recomendadas para daqui a três anos deve coincidir com ⅓ da área. O mesmo vale para as alternativas de produção para daqui a 4 anos e para daqui 5 anos.

DAQUI3ANOS: A5 + B5 = 100;
DAQUI4ANOS: A6 + B6 = 100;
DAQUI5ANOS: A7 + B7 = 100;

Reunindo as partes apresentadas acima, a formulação matemática para obter o ordenamento da produção que atende às demandas do proprietário pode ser assim construída:

max: 153.14 A5 + 178.70 A6 + 199.52 A7 + 
168.45 B5 + 196.57 B6 + 219.47 B7;

AREAA: A5 + A6 + A7 <= 120;
AREAB: B5 + B6 + B7 <= 180;
DAQUI3ANOS: A5 + B5 = 100;
DAQUI4ANOS: A6 + B6 = 100;
DAQUI5ANOS: A7 + B7 = 100;

Resolvendo o problema acima por meio da programação linear, obtém-se que será possível obter uma produção de 56.560 m³ cortando 100 ha da área A daqui a 3 anos; 20 ha da área A e 80 ha da área B daqui a 4 anos; e 100 ha da área B daqui a 5 anos. Esta recomendação atende à restrição de ⅓ da área ao longo de 3 anos, bem como não ultrapassa as áreas plantadas de A e B.

Análise de sensibilidade

A análise de sensibilidade do problema pode trazer informações interessantes para o manejador. Na presente solução, as variáveis que fazem parte da solução são A5, A6, B6 e B7.

Considerando a análise de sensibilidade para os coeficientes da função objetivo, é possível perceber como a produção de cada talhão pode variar, sem que a recomendação ótima se altere. Espera-se que a produção de A aos 5 anos seja de 153,14 m³/ha. No entanto, caso este valor caia para 150,58 m³/ha ou menos, a atual solução ótima, que envolve 100 ha de A5, será alterada. Para verificar otimize o problema, com a produção de A5 igual a 150 m³/ha:

max: 150 A5 + 178.70 A6 + 199.52 A7 + 
168.45 B5 + 196.57 B6 + 219.47 B7;

AREAA: A5 + A6 + A7 <= 120;
AREAB: B5 + B6 + B7 <= 180;
DAQUI3ANOS: A5 + B5 = 100;
DAQUI4ANOS: A6 + B6 = 100;
DAQUI5ANOS: A7 + B7 = 100;

O que o resultado da otimização mostra, é que caso a produção de A5 caia para 150, ao invés de se recomendar o corte de 100 ha, passará a ser recomendado o corte de 20 ha.

Cada coeficiente tem uma variação possível, que não altera a solução ótima. A produção de A6 pode cair até 178,12 m³/ha, a produção de A7 pode subir até 201,02 m³/ha. A produção de B5 pode variar entre 167,87 e 169,95; a produção de B6 pode subir até 197,15 m³/ha e a produção de B7 pode cair até 217,97 m³/ha. A variação dos coeficientes da função objetivo, que indicam a produção de cada alternativa, dentro do intervalo indicado pela análise de sensibilidade não altera a solução ótima.

A análise de sensibilidade mostra ainda que cada hectare a mais da área B, faria a produção ótima aumentar em 17,87 m³. Assim como cortar 1 hectare a mais daqui a 3 anos, faria a produção ótima aumentar em 153,14 m³; 1 hectare a mais daqui a 4 anos, faria a produção ótima aumentar em 178,7 m³ e 1 hectare a mais daqui a 5 anos faria a produção ótima aumentar em 201,6 m³. Se a produção de A7 ou B5 cair em 2,07 ou 2,55 m³/ha, ambas as variáveis passariam a fazer parte da solução do problema.

Regulação florestal

Hectares por ano = Demanda Anual / Produção por hectare

No exemplo apresentado, para fornecer 10.000 m³ anualmente são necessário a colheita de 50 ha por ano, desde que esses produzam 200 m³/ha. Mas é importante lembrar que a empresa pretende adotar rotações com duração de 10 anos. Desta forma, a empresa precisa ter 10 compartimentos de floresta, para que um compartimento seja responsável por produzir madeira em um dos respectivos anos da rotação.

Área necessária = Anos da rotação * Hectares por ano

Sabendo que a rotação é de 10 anos e que por ano a empresa necessita de 50 ha, o total de florestas que a empresa deve possuir é de 500 ha. Mas lembre-se que os 500 ha deverão estar divididos em 10 compartimentos, com idades variando de 1 a 10 anos. Um compartimento de 50 ha com 1 ano, um compartimento de 50 ha com 2 anos e assim por diante, até o último compartimento de 50 ha com 10 anos.

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Figura. Exemplo dos 10 compartimentos e suas respectivas idades. Em vermelho compartimento de 50 ha que será cortado neste ano. No próximo ano ele terá 1 ano e outro compartimento, que na ocasião terá 10 anos, será o talhão a ser cortado. Fonte: autor

Mas a floresta normal existe? Na prática, não é possível manejar seguindo o conceito de floresta normal. As principais razões são: diferença entre sítios, diferença de produção entre materiais genéticos e incidência irregular dos fatores de crescimento, entre outros.

Ciclo de corte

A determinação da idade ótima de corte é muito importante no conjunto global das técnicas de manejo florestal.

Existem dois conceitos relacionados à idade ótima de corte de uma floresta de eucalipto: a idade ótima de corte do ponto de vista técnico, em que se busca maximizar a produtividade de madeira por unidade de área por ano, e a idade ótima de corte do ponto de vista econômico, em que se busca maximizar o retorno econômico líquido por unidade de área por ano.

Para se avaliar a idade ótima de corte do ponto de vista técnico, deve-se acompanhar dois indicadores de crescimento da floresta, o Incremento corrente anual (ICA), que mede o quanto a floresta cresceu em volume no último ano, e o Incremento médio anual (IMA), que mede o crescimento médio da floresta até aquela idade.

ICAt = Volt – Volt-1
IMAt = Volt/Idadet
Onde:
ICAt – Incremento corrente anual no período t.
Volt – Volume do talhão no período t, em m3 ha-1.
Volt-1 – Volume do talhão no período t-1, em m3 ha-1.
IMAt – Incremento corrente anual no período t.
Idadet – Idade do talhão no período t, em anos.

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Já a rotação econômica ou idade ótima de corte econômica é obtida quando o VPL (valor presente líquido) do empreendimento é máximo.

A rotação de corte é a idade em que o povoamento é cortado, sendo também o número de anos que é empregado na função de produção.

A rotação regulatória é o intervalo de tempo ou período de transição necessário para converter uma estrutura existente na floresta em uma estrutura desejada ou regulada. Em outras palavras, é o número de anos decorridos entre uma colheita final e outra, correspondendo ao número de anos que deve ser usado numa análise de fluxo de caixa.

Um problema de regulação

Leia atentamente o problema abaixo. Note que versões maiores deste problema poderia ser aplicado a qualquer empresa florestal.

Uma empresa possui 3 fazendas já plantadas com eucalipto:

  • Fazenda Riacho com 1000 hectares plantados e idade de 7 anos.
  • Fazenda Vazante com 1000 hectares plantados e idade de 6 anos.
  • Fazenda Malhada com 1400 hectares plantados e idade de 5 anos.

A produção esperada, em m³/ha, para cada uma das áreas é de:

Idade Faz. Riacho Faz. Vazante Faz. Malhada
6 242 262 235
7 267 277 255
8 296 297 270
9 316 312 290
10 349 327 301
11 374 342 321
12 399 354 329

A equipe técnica da empresa recomendou três alternativas de manejo com as seguintes destinações:

  • Corte aos 7 anos: 100% para carvão.
  • Corte aos 10 anos: 20% para serraria e 80% para carvão.
  • Corte aos 12 anos: 40% para serraria e 60% para carvão.

A empresa consegue comercializar o m³ de madeira para:

  • carvão por R$ 130
  • serraria por R$ 320

Os gestores da empresa assumiram junto aos acionistas o compromisso de cortar anualmente 100.000 m³ de madeira, independente da destinação, desde que o retorno financeiro seja maximizado.

Você é capaz de responder as perguntas abaixo?

  • Qual o impacto do compromisso assumido junto aos acionistas para a decisão operacional da empresa?
  • Os talhões são equiprodutivos?
  • Como você distribuiria a colheita nas áreas e ao longo do tempo para garantir a produção anual de madeira?
  • Você deve priorizar a produção de carvão ou a produção de madeira serrada?
  • Quando e quanto cortar ao longo do horizonte de planejamento de 20 anos?

Links de artigos relacionados á Regulação Florestal

Planejamento Florestal

O período de planejamento de longo prazo para florestas equiâneas pode variar de 12 a 30 anos, e são utilizados Sistemas de Suporte a Decisão (SSD) para otimização do manejo florestal. O manejo florestal é o desenvolvimento e aplicação de técnicas analíticas, visando o ordenamento das atividades florestais com o propósito de gerar serviços e, ou, benefícios, diretos e indiretos, de acordo com as aspirações atuais da empresa, com a garantia do gerenciamento sustentável dos recursos florestais (CAMPOS; LEITE, 2013).
As empresas no Brasil veem incorporando são cada vez mais o conceito de Planejamento Florestal Otimizado estratégico ou de longo prazo, por meio do uso de software específico na tomada de decisões. Trocando soluções antigas por softwares atuais.
Regular a produção de uma floresta significa definir e aplicar prescrições de manejo visando uma estrutura de classes de idade que, após um período de transição, ou horizonte de planejamento (HP) resulte em uma produção sustentável (RODRIGUES, 1997). A opção mais utilizada para obter uma floresta regulada ao final do horizonte de planejamento consiste na inclusão de restrições que imponham uma distribuição adequada de classes de idade (RODRIGUES et al., 1998).
A Figura 1 apresenta o fluxograma dos planos de longo, médio e curto prazo com as principais restrições utilizadas nas empresas florestais:

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Figura.1 - Premissas e restrições

Regulação de uma floresta com modelos de programação

A regulação da produção de florestas equiâneas é realizada, muitas vezes, utilizando técnicas de pesquisa operacional, como programação linear e simulação. Todavia, para desenvolver os modelos de pesquisa operacional e codificá-los para uso em computadores, o manejador florestal precisa entender os propósitos de uma regulação florestal, principalmente o conceito de floresta normal e o seu manejo. Isto porque ele deve perseguir a normalidade, mesmo sabendo que nunca irá atingi-la. Ao perseguir a normalidade, ele estará cada vez mais perto da situação ideal (LEITE; SOUZA, 2007).

Exemplos de software baseado em Programação Linear (PL) podem ser observados nos níveis estratégicos do planejamento, onde a quebra de unidades de manejo (estratos, projetos, talhões) em unidades menores não é relevante. Os modelos tipo I e tipo II, clássicos da PL aplicada ao planejamento florestal estratégico otimizado, são utilizados no software específico dedicado a este planejamento.

Nas fases tática e operacional do planejamento (colheita), onde a quebra de unidades de manejo (estratos, projetos, talhões) em unidades menores é proibitiva, as ferramentas de otimização baseadas apenas em PL não são eficazes. Não é viável transportar, por exemplo, meia viagem de madeira, ou colher um talhão ao longo de duas a três semanas e, após uma pausa de mais duas a três semanas, retornar ao mesmo. As decisões de nível tático e operacional devem ser decisões de tipo binário (0/1 ou Sim/Não), pois quando uma frente de corte ingressa em uma área de colheita deve ficar lá até concluir o trabalho. Embora fáceis de entender na linguagem coloquial, estes conceitos são difíceis de modelar na linguagem matemática. Felizmente há ferramentas matemáticas capazes de levar em consideração variáveis binárias, como a Programação Dinâmica (PD), os Algoritmos Genéticos (AG™), e várias outras técnicas heurísticas.

Critérios de maximização florestal

Segundo Clutter et al. (1983) e Newman (1988), para determinação do regime de manejo que produz resultados físicos ou econômicos ótimos, estão na literatura florestal uma série de critérios, podendo mencionar:

Principais critérios
Maximização da produtividade
Maximização do valor presente líquido (VPL)
Maximização do valor esperado da terra (VET)
Maximização da renda líquida anual
Maximização da taxa interna de retorno
Maximização da razão custo-benefício

Alguns autores salientam que dependendo do critério escolhido e tendo por base as produções projetadas, as receitas esperadas e os custos envolvidos, chegam-se às várias rotações possíveis, uma vez que cada critério maximiza algum objetivo. Assim, cabe ao gestor decidir sobre os objetivos do manejo para posteriormente decidir sobre o critério que o maximiza.

Referências: https://colheitademadeira.com.br/noticias/planejamento_florestal_otimizado/,
http://acervo.ufvjm.edu.br/jspui/bitstream/1/1045/1/mauro_antonio_pereira_werneburg.pdf

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